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TER OU NÃO TER?


“… por que aprendi a viver contente em toda e qualquer situação” (Fl 4:11)

Vivemos a cultura do descontentamento. Por todos os lados, somos atraídos para propagandas que tentam nos persuadir a comprar produtos. Sons, imagens, textos nos bombardeiam constantemente trazendo convites ao consumismo. A psicologia do marketing aperfeiçoa-se cada vez mais e é capaz de convencer até o mais resistente de que o supérfluo é essencial. Não paramos para refletir se realmente precisamos do que pensamos em comprar ou se estamos simplesmente justificando um estilo de vida materialista, sem qualquer compreensão das verdadeiras prioridades da vida. Por causa da inconstante insatisfação, somos levados a querer sempre mais. Por isso, comprometemos nosso tempo com mais cursos e mais trabalho, não tendo tempo para investir na família, nos relacionamentos, no serviço a Deus. Terminamos como escravos do ter e não lembramos mais onde se perdeu a alegria de viver.
O apóstolo Paulo sabia o que era viver com contentamento, independentemente das circunstâncias. Ela não se deixava escravizar pela opressão do materialismo. Ao escrever sobre contentamento, ele estava preso por causa da pregação do evangelho. Privado de qualquer fonte de renda, ele passou por momentos difíceis, até que os irmãos da igreja de Filipos lhe mandaram provisão através de Epafrodito. Isto lhe alegrou o coração ainda mais. Mas ele deixou claro que sua alegria não dependia da abundância ou escassez. Ele aprendeu uma preciosa lição de vida. Deus lhe ensinou, através das experiências do dia a dia, que é possível vivenciar uma alegria plena, mesmo no meio das circunstâncias adversas. O apóstolo sabia o que era estar diante de um lauto banquete, como também o que era passar fome. Ele sabia o que era receber honras diante de reis, como também sabia o que era ser rejeitado e apedrejado. Isto explica sua reação diante de sua prisão. Ele estava preso, mas a palavra de Deus estava livre através da pregação dos filipenses. Ele poderia morrer, mas estaria com Cristo, que seria incomparavelmente melhor. Seu contentamento não consistia num otimismo irrealista e ilusório. Estava firmado na rocha sólida de Cristo.
Na verdade, aqui está o segredo do contentamento cristão: Cristo. Pode parecer extremamente difícil cultivar alegria interior diante das situações adversas. Somos mais tendentes a murmurarmos e desanimarmos quando passamos por tribulações. Que razão temos para celebrar uma perda? Que motivos justificariam alegria diante das privações? Como podemos encontrar força quando nos sentimos fracos e incapazes? Paulo deu o seu testemunho: “Tudo posso naquele que me fortalece”. Infelizmente, muitos têm usado essa afirmação para justificar o materialismo. Eu posso ter carro importado. Eu posso ter uma conta gorda no banco. Eu posso vestir as melhores roupas e morar nas melhores casas. Mas não é isso que Paulo está dizendo. Ele está nos ensinando que Cristo nos fortalece para encontrarmos contentamento tanto na abundância como na escassez. Eu outras palavras, Cristo é a fonte de nossa alegria. Com ele, desfrutamos da fartura com corações gratos, mas também não deixamos de agradecer ao passarmos pela tempestade. Cristo é quem nos faz felizes, acima das circunstâncias.
Quando podemos dizer, com Paulo, “para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro”, então tudo o mais será visto como tendo valor relativo. Não vamos fazer do trabalho nosso ídolo, nem vamos nos curvar diante de Mamon, o deus do dinheiro. Não vamos desperdiçar o nosso tempo correndo atrás do vazio, mas vamos valorizar nosso tempo, nosso trabalho e nosso dinheiro, administrando-os para o Senhor, priorizando em tudo a vontade e o reino de Deus. Não vamos nos entregar à ansiedade, mas vamos confiar no Senhor, sabendo que a provisão vem dele. “Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça e as demais coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6:33). A alegria que temos em Cristo sobrepujará as tristezas da perda e da dor. As incertezas da vida darão lugar à convicção de que nada “nos separará do amor de Deus que está em Cristo Jesus nosso Senhor” (Rm 8:39).
Você tem ocupado seu tempo e sua atenção na ânsia do ter? Você tende a ficar murmurando da vida, triste pelo que gostaria de ter e não tem? Você se sente injustiçado, achando quer merecia algo melhor? Então busque a Cristo de todo coração. Confie naquele que nos amou ao ponto de dar a sua vida na cruz para dar a vida eterna. Peça sinceramente a Deus esta alegria de Cristo que transcende o que pode se expressar em palavras. Então você estará pronto para ser grato e reconhecer nas coisas mais singelas o amor de Deus. Você vai descobrir que o que existe de mais precioso não são bens materiais, mas o seu relacionamento com Deus e com as pessoas que Ele colocou ao seu lado. Você vai encontrar a alegria de investir na eternidade e saber que a sua vida fez a diferença na vida de outras pessoas. Você vai saber que não importa ter ou não ter, contanto que tenhamos a Cristo.
Jorge Issao Noda

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