MORRER PARA FRUTIFICAR

 

Spiritual-Growth“Se o grão de trigo cair na terra e não morrer, fica ele só, mas se morrer, produz muito fruto” (Jo 12:24).

 

No primeiro dia em que Pedro pregou o evangelho, depois do derramamento do Espírito Santo, três mil vidas se entregaram a Cristo. Em pouco tempo, já eram cinco mil. Em poucas décadas, os discípulos de Cristo se multiplicavam por todo o Império Romano. Ainda hoje os estudiosos procuram entender como pôde haver um crescimento tão prodigioso. Não havia transportes rápidos, não havia imprensa, não havia sistemas de correio, telégrafo ou internet, mas o evangelho se espalhou como um poderoso incêndio. Judeus e romanos fizeram de tudo para conte-lo. Perseguiram, torturaram, mataram cristãos, mas nem todo o seu poder militar e político pode deter o avanço da igreja.

Hoje, apesar de toda a liberdade que desfrutamos e todos os recursos tecnológicos de que dispomos, nossa influência é mínima em uma sociedade decadente. Sem dúvida, os evangélicos têm crescido numericamente de forma impressionante nos últimos anos. Mas pouco se vê do espírito indômito e do amor fervoroso dos primeiros cristãos. Pelo contrário, vemos multidões que enchem os templos aos domingos, mas não conseguem vivenciar os princípios mais básicos do evangelho em sua vida secular. Hoje, ser evangélico não significa necessariamente ser ético. Aparentemente, não há nenhum incômodo na consciência professar a fé em Jesus e, ao mesmo tempo, viver de acordo com o sistema de corrupção e relativismo que domina a sociedade.

Como poderemos ver a multiplicação da igreja primitiva nos dias de hoje? Temos que estar dispostos a morrer para nós e viver para Cristo. Nada, senão a morte de nosso ego pode produzir vida. De que adianta uma semente que não morre? Ela fica sozinha. Ela não cumpre o seu propósito. Ela traz consigo a vida de muitas outras sementes, mas, se não morrer, nenhuma delas virá à existência.

Morrer significa destruir o ídolo do egoísmo, para adorar o Deus único e verdadeiro. Morrer significa preferir o desprezo e a vergonha, a negociar o evangelho no mercado dos ganhos fáceis. Morrer significa dar prioridade ao reino, confiantes de que as demais coisas nos serão acrescentadas. Morrer significa perder tudo, “para ganhar o que não se pode perder.”

Estamos dispostos a morrer para multiplicar? Estamos dispostos a dedicar nossas vidas no altar da consagração para que outros possam viver? Conseguimos vislumbrar os frutos de vidas transformadas por nosso intermédio? O Filho de Deus deu a sua vida, para que pudéssemos estar para sempre na presença de Deus. Ele mesmo deu o exemplo para sigamos os seus passos.

Jorge Issao Noda