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APRENDENDO NO DESERTO


Recordar-te-ás de todo o caminho pelo qual o SENHOR, teu Deus, te guiou no deserto” (Dt 8:2; leia 8:1-8).

Por que Deus permite a tribulação? Muitos hoje defendem a tese de que as tribulações vêm do diabo e que a vontade de Deus é uma vida sem problemas. A mensagem passada é que o Senhor não quer o sofrimento dos seus filhos e uma vida de plena comunhão com Deus é aquela imune às lutas comuns de todos os seres humanos. Mas a própria Palavra de Deus nos afirma que, muitas vezes, o próprio Deus nos manda para o deserto. E, para que não tenhamos dúvidas sobre isso, lembremos que nem mesmo o Filho de Deus estave isento da provação. O Espírito Santo o conduziu ao deserto para ser tentado pelo diabo.

No deserto, Deus nos humilha. Ele sabe que o maior inimigo de nós mesmos é o ego: o orgulho, a vaidade, a soberba, a prepotência, a auto-suficiência. Deus quer nos livrar da justiça própria que recusa-se a reconhecer os seus próprios pecados. Deus quer nos livrar da hipocrisia que estabelece altos padrões morais para os outros, mas que não move um dedo para vivê-los. Deus quer nos livrar de um espírito crítico que vê o menor argueiro no olho do irmão, mas não consegue perceber a trave que está diante dos seus olhos. No deserto, Deus nos faz ver quem realmente somos. As máscaras caem. Os pecados mais íntimos são revelados. Arrependimento e contrição são seguidos pelo perdão de Deus que nos faz humildes na sua presença.

No deserto, Deus nos prova. Não temos dúvidas da onisciência de Deus. Ele sabe o que ocorre nos recessos de nosso coração. Ao mesmo tempo, Deus quer evidências de que estamos prontos à obedecê-lo de todo coração. Palavras somente, por mais tocantes que sejam, não são suficientes. Podemos confessar com lágrimas que amamos a Deus e estamos prontos a entregar nossa vida para ele. Mas é no deserto que demonstramos a realidade de nosso amor por Deus. Quando tudo vai bem, é fácil louvar a Deus. No deserto, contudo, descobrimos o que está em nosso coração. Se murmuração, ingratidão e desejos de voltar para o Egito ou uma fé inabalável naquele que prometeu uma terra que mana leite e mel.

No deserto, Deus revela sua provisão. Enquanto vivemos na ilusão de que somos capazes de resolver nossos problemas e conduzir nossas vidas, não sabemos o que é a intervenção de Deus. Confiamos mais em nosso contra-cheque, em nossas posses, em nossas habilidades. No deserto, descobrimos que a água pode jorrar da pedra e o pão pode vir do céu. Experimentamos, na prática, a presença de Deus agindo de forma inconfundível e podemos dar testemunho de que ele é o Deus vivo.

No deserto, Deus nos alimenta espiritualmente. Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus. A verdade de Deus nos alimenta, nos fortalece, nos dirige, nos corrige, nos educa, nos disciplina. Ela é a nossa vida. Como uma árvore ao lado de um rio, assim é aquele que ama a Palavra de Deus. Suas folhas são verdes e seus frutos abundantes. Como um pai, Deus nos disciplina para que alcancemos a maturidade.

Por isso, não desfaleça no deserto. Há um propósito. Há uma necessidade. E quando você entrar na terra prometida, você se lembrará que as mais preciosas lições da vida foram aprendidas no deserto.

Jorge Issao Noda

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